Desbravando o Paraguai, vou puxando minha carroça, que roça roça o massapé lilás, Uma calça amarela démodé, alpercatas de couro de Ilhama fugida do IBAMA, dedos cheios de anéis e uma camiseta de propaganda. Com meu violão antigo vou seguindo minha canção e lá vou eu então...Bombacha, viola e cachaça... E um sorriso de araque, antes que o heart attack nessas veredas subtropicais, carroça sem jumento é o mesmo que estivador sem cais. Foi-se embora meu jumento, se aproveitou do meu porre, mas meu Deus como ele corre!
De passagem por Encarnación encontro uma mulher mui guapa, ao ver minha crise me acudiu com um velho mapa, uma caneca d água e farta risada, pois nunca vira homem puxando carroça pela estrada. As crianças mangando e de longe ouço uma fanfarra que cresce e vem chegando... Quando olho pro outro lado, tomado de tequila, vejo Armandinho meu jumento em plena roda, no meio da quadrilha. E dançava, e bebia, sapateava de alegria, trazia em si uma cangalha com flores e a imagem de santa Luzia, Armandinho na frente e a procissão atrás, Armandinho imperioso puxando gente que n acabava mais.
"valei-me moça que aquele é meu jumento não recupero nem o regalo” então ela me disse: "É que o povo criou apego ao jumento... melhor comprar um cavalo!"
E esse vento minuano sopra uma dúvida afligente, não achei minha Guadalupe, Armandinho virou gente... O que direi lá em casa? Meu amor casou com outro e eu fiquei com a moça guapa.

2 comentários:
deixe Armandinho ser feliz, vá. Vem cá.
Teu nome podia ser Donizete...
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"Quando o homem inventou a roda, logo Deus inventou o freio, um dia um feio inventou a moda e toda roda amou o feio"